Vou pedir licença pra contar a minha história...
Da arquibancada uma morena me aplaudia,Seus cabelos longos, olhos negros, sorria,
A gente se encontrava, sempre às escondidas,E vivia aquele amor, proibido,
Vieram me contar, que mandaram ela pra longe,
Passaram muitos anos, e eu pelo mundo,De vaquejada, em vaquejada, sempre a viajar,
Um dia eu fui convidado, pra uma vaquejada,Naquela região...Pensei em não voltar lá, mas um bom vaqueiro,Nunca pode vacilar,Nunca mais soube de nada, do que lá acontecia,Eu fugia da minha dor, e da minha agonia,Ser sempre campeão, era a minha alegria,
Depois de dezessete anos, preparei-me pra voltar,Como um campeão,Queria aquele prêmio pra lavar meu coração,Mas sabia que por lá, existia um vaqueirão,
Começou a vaquejada em uma disputa acirrada,Eu botava o boi no chão, ele também botava,Eu entrei na festa,E ele lá estava,Eu fiquei impressionado, como ele era valente,Tão jovem e tão forte, e tão insistente,Eu derrubava o boi,E ele sempre a minha frente,Chegava o grande momento, de pegar o primeiro lugar,Os bois eram os mais fortes, ele não iria derrubar,E sorri comigo mesmo "desta vez eu vou ganhar"...Quando me preparava, para entrar na pista,Quando olhei de lado, quase iscureci a vista,Quando vi uma mulher,Aquela que foi a minha vida,Segurei no meu cavalo, para não cair,Tremi, fiquei nervoso, quando eu a vi,Enxugando e abraçando,O vaqueiro bem ali,
Entrei na pista como um louco,O batisteiro a percebeu,Andei foi longe do boi,"Há isso nunca aconteceu!"O Vaqueiro entrou na pista, e eu fiquei a observar,Ela acenava, ela aplaudia,E ele, o boi a derrubar,Derrubou o boi na faixa,Ganhou o primeiro lugar...
Fiquei desconsolado, envergonhado eu fiquei,Perdi o grande prêmio,Isso até eu nem liguei,Mas perder aquele amor,Há eu não me conformei,
Ela veio sorridente, em minha direção,E trouxe o vaqueiro, pegado em sua mão,Olhou-me nos meus olhos, falou com atenção:"Esse é o nosso filho, que você não conheceu,Sempre quis ser um vaqueiro, como você, um campeão,E pela primeira vez, quer a sua Benção..."
Eu chorava, de feliz,Abraçado, com meu filho,Um vaqueiro, como eu, eu nunca tinha visto,Posso confessar, "o maior prêmio,Deus me deu..."


